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No fundo sempre soube que uma vez só, por muito anos que tivessem passado, uma só vez bastaria, assim como da primeira... Ver-te uma vez, quase próximos mas com o quase sempre entre nós a dividir como o horizonte divide o céu do mar, uma única e maldita vez bastaria; bastava; bastou para que voltasse ao grau zero do esquecimento, ao ponto em que compreendemos e encaramos como uma fatalidade que tudo está como sempre esteve, tu em mim e eu sem ti...

 

A vida - que é o termo utilizado quando não se tem explicação para o que ocorre ou pura e simplesmente se resumem anos de existência numa só palavra por comodidade ou por não se acreditar no destino, ou mesmo simplificando o que já de si era simples, o acaso, a coincidência que acontece como uma vertigem - encaminha-nos sempre na mesma direcção quando menos espero; pelo menos quando procuro nunca te encontro e não será de procurar nos locais errados mas sim azar (o de uns costuma ser a sorte de outros) ou uma coincidência que não o chegou a ser por pouco ou um atraso ou adiantamento do destino na marcação das datas, das horas e das ocorrências. Se alguém houver que tenha por missão gerir tão complicada logística, dirá com quase toda a certeza que terá sido uma gralha, um erro de impressão.

 

Mas enfim, de novo, uma só vez foi suficiente para que o meu coração disparasse, para que por um instante tivesse desejado ter evaporado, tal era a minha falta de preparação para o impacto, um murro no estomâgo que rouba o ar aos pulmões e impede que haja uma renovação do mesmo, o coração a bater como bate o do pássaro que se vê aprisionado entre um par de mãos e eu sem jeito, como sempre, quase mudo e quieto a tentar reagir, a sair da cova para onde me desejava atirar.

No fundo sempre soube que uma só vez bastaria; bastava; bastou para ser obrigado a admitir que apesar de não me ter esquecido de me forçar a esquecer-te, mesmo após estes séculos já passados... eu nunca te esqueci...

   1 comments

Joao C. Santos
March 25, 2007   08:05 PM PDT
 
a essência do amor no seu melhor, que a saudade te recorde o melhor... a paixão e a loucura do sentimento.

um abraço

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